Entre o Global e o Glocal: Pensar a Literatura como Instrumento de Mediação Intercltural
Esta roda de conversa é promovida pela revista AKAdemia-Vozes e Saber, uma revista digital nova. E esta conversa faz parte do número dois.
Nesta edição vamos abordar uma questão ligada à circulação literária. A nossa conversa estará em torno de pensar o ser humano no mundo global, mas também de pensar esse ser humano no mundo local e depois num terceiro espaço que é o glocal. E, nesta combinação entre o global e o local, nós vamos falar desse ser humano enquanto literatura: aquilo que se escreve; aquilo que se lê; e como ele se revê. Porque nós vivemos, na verdade, num tempo em que o global tornou-se uma atração cultural, um selo de prestígio, um critério de validação. E este intercâmbio, vamos assim dizer, acaba por ganhar uma força muito grande, fazendo com que as nossas próprias raízes sejam, nalgumas vezes, questionadas por nós mesmos. Mas, ao mesmo tempo, é interessante isto, porque é neste mesmo mundo global onde buscamos a resistência, a recriação e a reinvenção. Portanto, é no fundamento dessas escalas que nós vamos conversar sobre a literatura.
Nesta mesa, contamos com três painelistas de três países diferentes, que habitam precisamente essa fronteira. Temos aqui connosco o Mbepozine Macheche (MM), moçambicano, escritor cuja obra transita entre o íntimo e o social, revelando como a palavra pode ser simultaneamente local e universal. A seguir temos o Gejé Amadú Candé (GC), guineense, escritor e pesquisador em culturas no contexto global, cuja reflexão amplia o diálogo entre territórios, línguas e imaginários. E por fim temos a professora Francy Silva (FS), brasileira, professora de graduação e pós-graduação, PhD em estudos de contos de violência em literaturas de mulheres negras brasileiras e africanas.
Eu sou Vandy Cambula (VC), professora, escritora e estudante de mestrado. Fiz também jornalismo nalgum momento da minha vida e assumo hoje a moderação desta conversa que penso que vai ser muito rica porque eu acredito que a literatura vai além da importância que, muitas vezes, atribuímos. Ela tem funcionado como o primeiro contacto com o qual temos relativamente às outras culturas, antes dos contactos físicos.
Para saber mais sobre esta homenagem, basta dirigir‑se à revista, na secção Homenagens, página 9.