top of page

Foi um amor, um pai, um filho, um irmão, um amigo, um tio, um sobrinho, um colega, etc… que se foi!

A partida do Francelino continua a doer num lugar onde as palavras não chegam. É uma perda que não se mede, que não se explica, que não se resolve. Não se acorda num domingo de planos tranquilos, de promessas de descanso espiritual, para se descobrir que, de repente, o mundo se partiu. Que a pessoa com quem se ia iniciar essa jornada deixou de ser presença e passou a ser memória, uma memória tão recente que ainda ameaça transformar-se em trauma.

Fica a impotência de não poder fazer nada. Fica a ausência de respostas. Fica a tristeza de não ter conseguido acompanhá-lo até ao fim e a culpa, essa culpa injusta, de imaginar que se poderia ter feito mais, ou menos, ou diferente. É assim que a mente tenta negociar o irreparável.

Perdemos um homem raro. Um homem que se contentava com pouco, que ensinava com a generosidade de quem deseja ver os outros prosperar, que ria sem reservas, que nos brindava com o seu saber, com a sua escrita, com os seus sonhos grandes. Mas quando alguém se torna referência para muitos, as suas fragilidades tornam-se invisíveis. As dores escondem-se. A necessidade de apoio dissolve-se na ideia errada de que os fortes não precisam de colo.

São histórias que se repetem: pessoas que se calam para sempre porque o mundo insiste em esquecer que todos, sem exceção, somos seres sociais, interdependentes, vulneráveis. E que cuidar da saúde mental uns dos outros não é um gesto extraordinário, mas sim uma responsabilidade humana.

O legado do Francelino não termina aqui. Continuará a ser levado a quem ainda o devia conhecer. E guardaremos, com a ternura que só o amor permite, a sua gargalhada desinibida, a sua presença luminosa, o seu jeito de transformar simplicidade em grandeza.

A namorada

bottom of page