Ser e Não Pertencer
Entre os ruídos do mundo global, há silêncios que nos atravessam. Silêncios que nascem quando a língua que herdamos não encontra lugar, quando a cor que carregamos se torna estética antes de ser história, quando a cultura que nos molda é empurrada para os bastidores do público.
Crescemos entre fronteiras visíveis e invisíveis, aprendendo a afastar-nos do que é nosso como quem se protege de uma memória que nunca foi legitimada.
E, ainda assim, é nesse chão, o da cultura, que a identidade insiste em germinar, mesmo quando o terreno parece árido. Ser africano, hoje, é caminhar entre presenças e ausências, entre o que nos foi negado e o que reclamamos de volta. É disputar o direito de pertencer num mundo que tantas vezes nos ensinou a não pertencer.
Esta edição abre-se nesse intervalo: no espaço onde a identidade se reinventa, onde a pertença se reaprende, onde educar é também devolver caminhos.
A equipa AKAdemia – Vozes e Saber